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A importância da preservação do meio ambiente nos destinos turisticos

A importância da preservação do meio ambiente nos destinos turisticos


PALESTRA PROFERIDA PELO DEPUTADO SARNEY FILHO "A IMPORTÂNCIA DA PRESERVAÇÃO DO MEIO AMBIENTE NOS DESTINOS TURíSTICOS", DURANTE O SEMINíRIO DE ECOTURISMO, REALIZADO EM SÃO LUIS-MA, EM 04 DE MAIO DE 2003. (REPRESENTADO PELO VEREADOR IVAN SARNEY)

Senhores membros da mesa,
Senhoras e senhores.

Foi para mim   motivo de grande honra, como filho desta terra, ter sido convidado para participar do 2º Festival Maranhense de Turismo e do 1º Fórum Maranhense de Ecoturismo. É com satisfação que deseja agradecer a todos, aa TC Baluz Congressos e Eventos, aas autoridades oficiais do estado, ao Sebrae, aas agências e operadoras de turismo, aos empresários e estudantes que aqui se encontram esta oportunidade de poder proceder aa apresentação de um tema ao qual atribuo grande relevância para o processo de desenvolvimento nacional.

Sempre fui um entusiasta do crescimento do Ecoturismo em nosso País, mesmo antes de meu período como Ministro de Estado do Meio Ambiente. Desse modo, discorrer sobre o tema do " Ecoturismo e a Importância da preservação ambiental nos destinos turísticos " constitui , antes de tudo, uma responsabilidade que tenho   perante meus concidadãos maranhenses. Espero,   poder estar aqui emprestando uma contribuição válida ao crescimento deste importante segmento do turismo neste estado que tanto admiro e quero .

I) O contexto brasileiro.
Com um território de 8,5 milhões de quilômetros quadrados, nosso País detém uma variada gama de ecossistemas, e de paisagens sócio-culturais, o que nos habilita a sermos um dos países mais expressivos tanto no que diz respeito turismo de massa, senão também na modalidade do ecoturismo.

E inegável que dispomos de um acervo verdadeiramente extraordinário onde se encontram a floresta amazônica, ocupando cerca de 3,5 milhões de km2, com recursos hídricos incomparáveis e abrigando a maior biodiversidade tropical do planeta; uma região de cerrados, com vegetação de savana, estendendo-se por aproximadamente 2 milhões de km2, contemplando também uma rica fauna e flora; o Pantanal, considerado a maior área alagavel do mundo, com 150.000 km2, com uma fauna extremamente diversificada, e apresentando um dos maiores potenciais turísticos do País; a caatinga, reconhecida como a região mais seca do território nacional, cobrindo a maior parte do nordeste brasileiro.

Dispomos ainda da Mata Atlântica que margeia o litoral brasileiro do Rio Grande do Norte até o início do Rio Grande do Sul, uma área violentamente antro- pizada, e que hoje detém pouco mais de 5% de sua cobertura vegetal. Contempla uma ampla variedade cênica, com montanhas, rios e cachoeiras, cavernas, bem como uma vegetação exuberante onde a ressaltam as orquídeas e bromélias; da mata de araucárias, ou seja, a floresta subtropical do sul do País, a qual tem sido igualmente objeto de grande devastação.

Não menos expressivas são as inúmeras formações geológicas, particularmente no interior do Brasil, que apresentam cavernas de tipos variados; ao longo de nosso litoral encontram-se também ricas áreas de manguezais, vegetação de restinga, os campos rupestres, as áreas de cocais, os campos do Rio Grande do Sul, uma infinidade de praias arenosas e rochosas, arrecifes de corais, dentre outras formações.

Esta imensa riqueza incontrastável nos distingue no plano internacional, ao mesmo tempo em que nos indica um caminho a seguir no desenvolvimento sustentável, qual seja, o de buscar os maiores benefícios econômicos, sociais e ambientais aproveitando essa vocação natural. O turismo responsável e o ecoturismo constituem, assim, vias essenciais a serem bem trabalhadas no âmbito do esforço nacional de lograr um país economicamente equilibrado e socialmente justo.

II) O contexto maranhense.

Se o Brasil como um todo reflete essa grande diversidade de ecossistemas e de cenários sócio-culturais, o estado do Maranhão, em particular, apresenta a maior variedade de biomas em seu território, envolvendo um representativo segmento de floresta amazônica, um rico litoral, regiões de cerrados e pântanos, além de áreas de deserto e do maior banco de corais da América Latina. É verdadeiramente notável o potencial do estado tanto para o turismo quanto para o ecoturismo.

Em Alcântara, assim como em São Luís, deparamo-nos com extraordinária riqueza sócio-cultural fruto de um passado colonial que reflete as culturas francesa e portuguesa. São José do Ribamar, além de centro de peregrinação, conta também com um belo balneário. O Parque Nacional dos Lençóis Maranhenses constitui um sítio único com mais de 150.000 hectares de areias brancas, dunas, e lagos de águas doces e cristalinas. A região já é conhecida internacionalmente, e sem dúvida alguma, representa um dos cenários naturais mais atrativos no mundo. Em Carolina, encontramos formações geológicas extraordinárias com cachoeiras, cavernas e grutas com inscrições rupestres. Outras atividades turísticas podem igualmente ser exploradas em regiões como Paço a do Limiar, Imperatriz, Barreirinhas, Tutoia, Balsas, dentre outras.

III) O ecoturismo. Conceito .

A maior parte dos textos oficiais brasileiros conceitua o ecoturismo como " um segmento da atividade turística que utiliza de forma sustentável o patrimônio natural e cultural, incentiva sua conservação e busca a formação de uma consciência ambientalista através da interpretação do meio ambiente promovendo o bem-estar das populações envolvidas, respeitando ao mesmo tempo a integridade cultural dessas comunidades locais ".

Esta definição fundamenta-se sobre três pilares: o da sustentabilidade dos recursos culturais e naturais, o pressuposto de uma base de preservação do ecossistema e a responsabilidade com o bem-estar das populações locais.

A" The International Ecoturism Society-TIES " evoca ainda outro elemento para caracterizar o ecoturismo, qual seja o da figura da " viagem responsável ", deixando evidenciado que o visitante ecoturista deve ter um engajamento com a causa da preservação do meio ambiente quer natural, quer cultural.

O interessante na interação entre o homem e o ambiente é que, nessa cadeia, todos têm a ganhar. Ganha-se com a conservação do patrimônio, com a ampliação de conhecimentos e da consciência ecológica, e com a melhoria das condições sócio-econômicas das populações locais.

Reconhece-se que o ecoturismo bem planejado constitui alternativa econômica bastante viável para regiões nas quais os ecossistemas sofrem pressão, e onde os recursos econômicos são escassos para atender às necessidades sociais.

Especialistas internacionais ressaltam ter o ecoturismo um grande foco no aprendizado e na descoberta da natureza, pois a atividade consiste em viajar para " regiões naturais não contaminadas, com o objetivo específico de estudar, admirar, e apreciar o cenário de suas plantas e animais silvestres, bem como qualquer manifestação cultural ". Como, em geral, os ecoturistas estão primeiramente interessados em melhorar seu conhecimento, necessitam dispor de informação sofisticada, estudos cuidadosos, e documentação que lhes proporcionem esse salto qualitativo no aprendizado (Filion, Eagles, Ceballos, Lascurain e outros).

IV) Ecoturismo: as estimativas de mercado.

Para a melhor compreensão do fenômeno do ecoturismo, é importante proceder a uma sucinta avaliação de seus impactos econômicos. Embora não se disponha de dados estatísticos precisos sobre este segmento da atividade turística, o que se atribui aa " novidade " desta modalidade, podemos chegar, pelo exercício de aproximações, a alguns números que se revelam expressivos.

É a partir dos números globais do turismo em geral que podemos estabelecer estimativas sobre o movimento mundial do ecoturismo.

De acordo com a Organização Mundial do Turismo, em 2001, o intercâmbio turístico envolveu algo em torno dos 693 milhões de viajantes, envolvendo recursos da ordem de 463 bilhões de dólares. A europa recolheu a metade desse montante; as Américas ficaram com 17,7%, assim como as regiões do leste da Asia e do Pacífico; a ífrica e o Oriente Médio detiveram aproximadamente 2,5%.

Estudiosos internacionais estimam que, atualmente, do volume total de negócios gerado pelo turismo global, 7% correspondem ao Ecoturismo, ou o turismo da natureza. E esta modalidade tem tido um incrível crescimento anual que varia entre 10% e 30% dependendo das regiões do planeta. Nos últimos tempos, a variação percentual mais expressiva envolve os fluxos para a área da Asia e do Pacífico. Grosso modo, o ecoturismo gera receitas anuais da ordem de 40 bilhões de dólares, e apresenta uma tendência de forte crescimento.

Esta tendência se cristaliza ao se levar em conta uma análise das motivações que vêm orientando o turismo internacional. As pesquisas apontam que entre 40 e 60% dos turistas demonstram interesse na natureza, entendida esta como a observação de cenários e da flora; entre 20 e 40% encontram-se aqueles cujo foco da atenção reside na observação de animais selvagens.

Dados interessantes foram levantados numa pesquisa das entidades " The Sage Group" e   " Tourism Research Group". Eles constataram que no Canadá, por exemplo, entre adultos a partir de 65 anos, os três maiores interesses turísticos constituem a história e a cultura (85%), o meio ambiente (82%), e as observações ao ar livre (70 %); para a mesma população norte-americana, pois índices indicam a história e cultura com 100%, o meio ambiente e com 95%, em observação ao ar livre com 75%.

Para os alemães, as visitas aos cenários naturais constituem o maior foco de interesse. Os japoneses que se destinam ao Canadá   teem por objetivo principal o meio ambiente. Franceses e britânicos que igualmente visitam o Canadá são motivados pelos parques nacionais, pelas belezas cênicas e pela interessante vida selvagem.

Para se ter uma idéia mais concreta da contribuição do ecoturismo particularmente em países em desenvolvimento, vale mencionar que o Quênia conta com uma receita anual média da ordem de 400 milhões de dólares, e a Costa Rica, percebe aproximadamente 600 milhões de dólares com as visitas aas suas florestas nativas.

V) Ecoturismo: instrumento de combate à pobreza.

O ecoturismo constitui importante atividade na geração de emprego e renda, sendo, portanto, elemento essencial no combate à pobreza, em especial nos países em desenvolvimento. De acordo com a Organização Mundial do Turismo, a atividade propicia que consumidores de países desenvolvidos comprem mercadorias de locais remotos, propiciando a ampliação do mercado de consumo para as comunidades locais. Abre, igualmente, importantes postos de trabalho nas atividades meio e fim, dinamizando os setores de serviços e de construção civil.

É importante observar que para cada posto de trabalho direto gerado na indústria turística, são criados em média 3,2 empregos indiretos. Além disso, o desenvolvimento do ecoturismo favorece a fixação do homem em seu habitat natural, minimizando os efeitos da migração que, na maioria das vezes, em vez de trazer riquezas somente aumenta as frustrações nas populações deslocadas.

Vale notar que a Organização Mundial de Turismo abriu, recentemente, uma janela de oportunidade para apoiar os esforços dos países em desenvolvimento no que diz respeito ao fomento do ecoturismo. A iniciativa, que foi lançada durante a Cúpula sobre o Desenvolvimento Sustentável de Joanesburgo, em 2002, focaliza, sobretudo, aquelas regiões onde as populações sobrevivem com menos de US$1 por dia. Ela objetiva, através do turismo sustentável, criar oportunidades para os pobres, e envolve outras organizações do sistema da ONU, como a UNCTAD e o PNUD.

Denominada -ST-EP- " turismo sustentável-eliminação da pobreza ", a iniciativa está baseada em três componentes: a) uma Fundação Internacional cujo objetivo é o de buscar recursos financeiros de fontes privadas, filantrópicas e governamentais; b) uma base de pesquisas para a identificação de princípios, a aplicação de modelos, e o estabelecimento de vínculos necessários à atividade; c) um quadro operacional capaz de incentivar e promover boas práticas entre empresas, organizações não-governamentais , consumidores e comunidades.

O programa entrou em operação neste ano de 2003, e a meu ver, tende a ser uma contribuição valiosa aos projetos ecoturísticos. Minha recomendação a todos os que desejam desenvolver iniciativas nessa área é de que contactem a referida Organização.

A OMT dispõe ainda de um centro de educação para o turismo sustentável, proporcionando treinamento e pesquisa, além de certificação que objetiva qualificar programas e prover acesso a um grande número de produtos e serviços nessa área .

VI) O ecoturismo no Brasil.

No Brasil, a exploração do ecoturismo é recente. Há pouco, os operadores de turismo, ambientalistas, as comunidades locais e os diferentes níveis de governo passaram a avaliar a importância dessa atividade como alternativa de conservação ambiental e fonte de renda.

Em 1994, os setores federais do meio ambiente e da indústria, comércio e turismo concluíram a elaboração de um documento com " diretrizes para uma política nacional de ecoturismo ". Em 1995, o Ministério do Meio Ambiente, através da Secretaria de Coordenação da Amazônia, foi incumbido de estruturar o ecoturismo em nosso País, com ênfase na citada região, e seus trabalhos passaram envolver não só o setor público e privado, senão também as organizações não-governamentais.

São os seguintes os princípios que orientam a base da atividade no Brasil:
a) promover e desenvolver o turismo com bases cultural e ecologicamente   sustentáveis;
b) promover e incentivar investimentos na conservação dos recursos culturais e naturais utilizados;
c) fazer com que a conservação beneficie materialmente comunidades envolvidas, pois somente servindo de fonte de renda alternativa estas se tornarão aliadas de ações conservacionistas;
d) operar o segmento turístico com critérios de mínimo impacto para permitir que o mesmo seja uma ferramenta de proteção e conservação ambiental e cultural;
e) educar e motivar pessoas através da participação e atividades que possibilitem a consciência da importância da conservação das áreas naturais e culturais .

Foi tendo presente esses antecedentes, e confiante nas potencialidades brasileiras para o ecoturismo que determinei, na minha então qualidade de Ministro de Estado do Meio Ambiente, maior urgência na conclusão dos estudos necessários para a contratação de recursos internacionais visando a apoiar financeiramente um programa para o desenvolvimento do ecoturismo na Amazônia-O PROECOTUR.

No ano 2000, ainda em minha gestão no MMA, logrou-se assinar com o Banco Interamericano de Desenvolvimento-BID- um contrato pelo valor de 200 milhões de dólares que incluía uma fase de pré-investimentos de 13,8 milhões de dólares. A implementação do projeto demandaria três anos.

A estratégia para a fase de pré-investimento fundamentou- se na conservação dos recursos naturais e da diversidade biológica naquela região como elemento central do programa. Definiu- se que seriam financiados vinte estudos de gestão para as áreas de proteção estaduais e federais, podendo igualmente serem criadas novas unidades.

Os estudos versariam sobre a demanda e a capacidade de carga dos ecossistemas envolvidos, focalizando aspectos como a recreação pública, a recreação comercial, educação, pesquisa científica, abrigos contra a chuva, pesca esportiva e ecoturismo. Esses trabalhos tratariam também da infra-estrutura em pequena escala tanto no interior das áreas selecionadas quanto em seu entorno. Estavam previstas, num período de três anos, a conclusão dos planos de manejo abrangendo uma área de 9,1 milhões de hectares.

Essa estratégia implica quatro momentos capazes de permitir a necessária consistência ao programa como um todo. São elas:
a) planejamento para áreas privatizadas: os trabalhos visam a determinar os recursos naturais e/ou atrativos para o ecoturismo, incluindo aspectos culturais como sítios arqueológicos; a vantagem competitiva internacional a fim de assegurar a sustentação da atividade no mercado; acessos por via aérea, terrestre ou marítima, e equipamentos básicos para recepção de turistas em aeroportos; instalações hoteleiras adequadas; compromissos dos governos estaduais em apoiar financeiramente o programa, facilitando atividades administrativas e de consultoria e promovendo articulações com os setores privados, organizações não-governamentais e as comunidades locais.
b) alocação de recursos para o planejamento: foram definidos cinco planos-mestres para cada área priorizada nos estados do Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia e Tocantins. Determinei igualmente o planejamento para o estado do Maranhão, que já se encontra em execução.
c) investimentos básicos: sobre uma base piloto os recursos se destinam a: criação de portos fluviais para o embarque dos ecoturistas; construção de postos de guarda avançados para a proteção das áreas naturais; centros de visitantes e áreas de lazer; obras para proteção de cavernas e outros locais que estejam sendo visitados e degradados; instalação de cercas de proteção para os sítios arqueológicos.
d) treinamento em ecoturismo: tendo em vista que a capacitação constitui elemento primordial nessa atividade, sobretudo diante do grau de exigência dos ecoturistas, o treinamento rigoroso de todos os indivíduos que participam desse processo é recomendado. A esse respeito, foram concebidos três programas modulares de treinamento e sete cursos envolvendo as seguintes áreas principais: princípios gerais do ecoturismo; planejamento de projetos ecoturisticos; diretrizes de melhores práticas em ecoturismo; licenciamento ambiental para atividades de negócios de ecoturismo; financiamento de atividades de ecoturismo; estatísticas e informações turísticas; gerenciamento das áreas protegidas; e workshops orientados para os investidores em ecoturismo.

Além dessas atividades, foram criados a nível estadual os comitês de fortalecimento locais, que atuam como órgão de assessoramento na preparação de informações básicas, seleção de locais e de consultas às comunidades. Denominados " grupos técnicos operacionais ", eles são integrados por representantes municipais de planejamento e/ou turismo, operadores turísticos, funcionários de entidades voltadas para o meio ambiente, representantes de organizações não-governamentais, e das comunidades , e membros do setor hoteleiro.

O PROECOTUR é parte integrante do Programa Turismo Verde, e tem caráter estruturador, objetivando preparar a região para atrair investimentos. O pressuposto básico é o de que o programa criar as condições para que o setor privado possa investir com segurança nas atividades de ecoturismo, promovendo a criação de produtos e roteiros competitivos internacionalmente.

Não obstante os méritos desse programa, o mesmo tem sido dificultado por força das restrições financeiras haa tempo vigentes. Tomando-se o exercício de 2003, havia sido aprovado no orçamento geral da união um montante de 20,3 milhões de reais para o PROECOTUR. Desse total, a lei orçamentária anual autorizou um dispêndio de tão somente 3,6 milhões de reais. Mas o decreto nº 4591, 10 de fevereiro último, reduziu ainda mais esses recursos estabelecendo um limite máximo de até US$128.800 a serem gastos até dezembro próximo.

Os contingenciamentos no triênio 2000/ 2002 também contribuíram para que o programa tivesse um bom andamento mais lento, o que obrigou a uma reestruturação de seu cronograma com inequívocas perdas em todos os níveis, tanto operacionais quanto administrativos. Se está perdendo, inclusive, mão-de-obra que havia sido qualificada para trabalhar especificamente na área do ecoturismo .

Até fevereiro de 2002, o PROECOTUR desembolsou apenas 2,7 milhões de dólares, valores que se situam bem aquém das reais necessidades e das responsabilidades do país no que diz respeito ao desenvolvimento do turismo ecológico, com efeitos negativos sobre o bem-estar de todas as comunidades envolvidas nessa atividade.
Com os poucos recursos disponíveis, posso a asseverar que o programa tem a seu crédito uma série de realizações de significado. Foram concluídos 3 planos de desenvolvimento ecoturistico nos estados do Amazonas, Mato Grosso e Roraima, bem como o estudo de viabilidade de empreendimentos ecoturisticos do pólo Cantão, no estado do Tocantins. Encontra-se em fase de conclusão o plano de desenvolvimento ecoturistico do pólo de Tapajós, no Pará. Foram realizados 21 projetos de infra-estrutura, sendo que seis outros estão em andamento. Foram terminadas três obras em Mato Grosso e Tocantins,5 encontram-se em andamento no Pará e Tocantins, e 9 estão em processo de licitação no Amazonas.

No tocante à capacitação, foram treinadas 944 pessoas através de 23 oficinas de sensibilização.

E preocupante reconhecer que o prazo para encerramento do contrato do programa será em agosto do corrente, o que compromete várias ações já em andamento como a estratégia de turismo sustentável para a Amazônia Legal, bem como a proposta de estratégia de desenvolvimento do turismo sustentável para a região, essenciais na elaboração do planejamento da fase subsequente do PROECOTUR. De todo modo, e a fim de permitir o seguimento das atividades, a coordenação do PROECOTUR já solicitou, formalmente, os procedimentos cabíveis para que o contrato possa ser estendido até agosto de 2005.

Vejo, no entanto, que o importante aqui não se trata da mera reestruturação de um cronograma, mas sim de uma execução consciente de toda uma série de atividades que têm por finalidade contribuir para o processo de desenvolvimento sustentável da imensa região amazônica.

E é por tais motivos que considero importante que nos estados envolvidos com o PROECOTUR seja criada uma consciência firme em defesa do programa, gerando uma sinergia capaz de alavancar a necessária vontade política para permitir que as ações em prol do desenvolvimento do turismo sustentável na Amazônia não sofram solução de continuidade.

Em nome do Partido Verde, do qual sou líder na Câmara Federal, estou decidido a endividar o melhor dos meus esforços pelo prosseguimento dessa iniciativa, mas para tanto devo contar com o respaldo político de todos os estados diretamente vinculados .

VII) A preservação do meio ambiente nos destinos turísticos.

Várias iniciativas que se referem aa preservação do meio ambiente nos destinos turísticos já foram por mim elencadas nos diferentes segmentos da presente palestra, sobretudo quando comentei a respeito de concepção política e do próprio PROECOTUR. Mas é evidente que esse aspecto requer uma focalização mais precisa.

Primeiramente, gostaria de ressaltar a necessidade de un enfoque cooperativo relacionado ao planejamento e elaboração de políticas. Nesse particular, cabe-nos examinar de que modo o ecoturismo pode servir a preservação da biodiversidade e de como esta última pode apoiar o ecoturismo. Por mais simples que esta equação possa parecer, o fato é que os conflitos são comuns quando passamos ao planejamento setorial, e não raras são as vezes em que os conflitos de interesses aparecem envolvendo os atores privados turísticos, as agências governamentais de meio ambiente, as organizações não-governamentais e as próprias comunidades locais. É necessário que todos colaborem em torno de um ideal comum.

Não menos importante é buscar fazer com que o planejamento, as iniciativas e as políticas de ecoturismo também possam ser levadas em conta em outros segmentos do turismo, capaz de promover uma mudança de atitude pela incorporação de valores e princípios da sustentabilidade. Esta é uma ótica que aponta na direção de se lograr o turismo sustentável como um todo.

No planejamento do ecoturismo torna-se essencial o estabelecimento de um sistema de zonas protegidas de forma assegurar a proteção da biodiversidade. A esse respeito é importante discutir adequadamente a questão do tamanho dessas áreas, buscando, sempre que possível, evitar a fragmentação. A elaboração de mapas detalhados contemplando os sítios mais significativos, as ameaças ou pressões e outras variáveis espaciais são relevantes em documentos dessa natureza.

A capacitação adequada constitui elemento- chave desde a fase de planificação até a operação do sítio. O recurso aa cooperação internacional revela-se interessante para melhorar os níveis de treinamento. De particular importância é a formação das autoridades locais, aos povos indígenas e outros agentes interessados.

E recomendável, igualmente, práticas que levem aa conservação de energia, da água e de outros recursos, buscando reduzir os resíduos e favorecer a utilização de materiais que não sejam importados de outras regiões. Também cabe esforço no sentido de se obter opções de transporte sustentável.

Numa outra ordem de idéias, é adequado fomentar a sensibilização sobre a preservação da biodiversidade entre as comunidades locais e os visitantes. Vários estudos realizados têm indicado que muitas comunidades locais não compreendem devidamente o valor da biodiversidade, havendo portanto necessidade de um esforço esse respeito. Quanto aos ecoturistas, é fundamental que os mesmos sejam informados da impossibilidade de certas práticas a exemplo da obtenção de alguns " souvenirs " como a extração de fósseis, ou mesmo a apropriação indevida de elementos da flora e fauna que podem constituir atos de biopirataria,

E fundamental que o ecoturismo não tenha efeitos negativos, e que as atividades no sítio adotem práticas e diretrizes de mínimo impacto. A propósito, cabe lembrar que a Organização Mundial do Turismo vem desenvolvendo um modelo de avaliação de impacto que inclui custos ambientais e sociais, além dos benefícios econômicos.
Esse modelo, acessível a todos os países que desejarem examinar sua aplicação, parece interessante por levar em conta as seguintes variáveis:
a) o custo do emprego perdido pelo setor agrícola en favor do aumento na atividade turística;
b) o dano causado no ecossistema;
c) o impacto sobre biodiversidade;
d) os efeitos sobre a população local de uma possível inflação decorrente da utilização de bens serviços necessários como infra-estrutura de acolhimento aos ecoturistas .

Não se deve desprezar tampouco as análises que busquem avaliar os aspectos qualitativos da cultura autóctone submetida ao impacto do ecoturismo. É importante que a cultura autóctone seja preservada, e não passe a sofrer a influência de modismos foraneos que possam prejudicar a sua autenticidade. A descaracterização de uma comunidade tende a trazer conseqüências negativas para as atividades do ecoturismo, inclusive, podendo por um termo ao próprio negócio .

Caberia também assinalar que as atividades turísticas desenvolvidas pelas comunidades locais devem ser concebidas como complementares às atividades econômicas tradicionais. Isto se torna necessário por dos motivos: para multiplicar os vínculos entre o ecoturismo e a economia tradicional como a agricultura, a pesca, e o artesanato, e para evitar que a economia e o nível de emprego na localidade não dependa em excesso do turismo.
Ainda do ponto de vista econômico, gostaria de lembrar a importância da assistência governamental às micro empresas locais, através da concessão de micro créditos e de incentivos para que sigam atuando em favor da sustentabilidade. Nesse contexto, cabe salientar ainda que a ênfase deve ser colocada na melhoria qualitativa do sítio a fim de permitir aumentar o valor econômico percebido por cada visitante. Nas atividades ecoturísticas o importante não é aumentar o volume de turistas, mas sim, dispor de um produto de excelente qualidade com preços correspondentes.

VIII) Conclusão.

O mercado para o ecoturismo cresce em todas as partes do mundo. Requer especialização e deve, necessariamente, ser incluído nas atividades de planejamento e gestão econômica do estado a fim de permitir níveis crescentes de proteção ambiental, bem como de satisfação para todos os lados envolvidos.

O produto ecoturístico diferencia-se dos demais nessa cadeia por buscar oferecer ao visitante uma compreensão autêntica dos patrimônios natural e cultural da região, beneficiando igualmente as comunidades locais. Contribui, portanto, para a conservação da natureza ao mesmo tempo em que proporciona o bem-estar daqueles que visitam o sítio e das populações que neles residem.

A qualidade das instalações e serviços de uma área protegida, de um parque, e a relação entre a gestão dos visitantes e as políticas de conservação constituem elementos vitais para o êxito do empreendimento.

Mas não se deve perder de vista a importância da avaliação e dos impactos reais e potenciais do ecoturismo sobre o meio ambiente, a sociedade e a cultura.

Como já disse antes, eu pessoalmente, assim como os demais integrantes da bancada do Partido Verde no Congresso Nacional estamos conscientes da necessidade de fomentar o ecoturismo em nosso País, não só pelas oportunidades que se abrem para ampliar o leque da conservação de nosso importante patrimônio natural e cultural, senão também por permitir ampliar a base de geração de emprego e renda, tão necessária no combate aa erradicação da pobreza e, por via de conseqüência, da fome.

O PV está plenamente identificado com a causa do desenvolvimento do ecoturismo no Brasil, de tudo fará ao seu alcance para permitir que novas janelas de oportunidade para o desenvolvimento sustentável sejam abertas para favorecer nosso meio ambiente e a qualidade de vida de nossas populações.

Muito obrigado.

 

Sarney Filho

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