Na calada da noite, deputados estaduais mato-
grossenses distorcem o projeto de lei que institui ZSEE/MT e
propõem um modelo de desenvolvimento, ultrapassado, excludente,
ecologicamente inviável e socialmente equivocado.
As
redes socioambientais: REMTEA, FLEC e FORMAD, integrantes do
Grupo de Trabalho de Mobilização Social (GTMS), e as entidades
que assinam este documento, se posicionam frontalmente contra o
conteúdo do substitutivo do Zoneamento Socioeconômico Ecológico
– ZSEE/MT, que surgiu da manga das ditas lideranças partidárias
da Assembléia Legislativa e não respeitou o processo de
elaboração do ZSEE/MT estabelecido pelo decreto federal nº4297
de 10 de julho de 2002, alterado pelo Decreto Federal
nº6288/2007.
A proposta resulta em uma alteração
prejudicial das características e definição das áreas e usos,
desconsiderando um diagnóstico ecológico, econômico e social
embasado por mais de 20 anos de trabalho da equipe técnica do
Executivo, que posteriormente passou por um processo de
participação e mobilização social por todo o Estado de Mato
Grosso. O projeto apresentado pelo deputado Dilceu Dal’Bosco
representa uma posição unilateral de um setor econômico
específico do Estado em detrimento de outros igualmente
importantes para a economia.
Desta forma, refutamos
várias diretrizes e alterações propostas nesse novo documento
por sua total falta de respaldo popular, legal e técnico.
Destacamos a seguir alguns pontos críticos do documento:
Exclusão de 14 Terras Indígenas em processo de homologação e de
demarcação em curso. As lideranças partidárias estaduais erram
ao avançar sobre um assunto de competência federal; Exclusão de
9 áreas propostas para Unidades de Conservação, além de outras
3 que tiveram suas áreas muito reduzidas.A redução destas áreas
corresponde a 73% das áreas propostas para criação de Unidades
de Conservação presente no primeiro substitutivo, resultado das
audiências públicas.
Flexibilização de reserva legal
em todo o estado inclusive nos ambientes florestais, de áreas
frágeis, e nos pantanais do Araguaia e do Guaporé, sem
critérios claros e embasados, o que invalida esta proposição do
ponto de vista legal
Redução de 34% da área de
floresta que foram destinadas para uso mais intensivo. Isso
significa desconsiderar a relevância e potencial da economia de
base florestal no Estado.
• Exclusão de áreas de
necessidade de proteção aos recursos hídricos, como as
cabeceiras dos rios Xingu e Teles Pires também perdeu área para
o uso mais intensivo. No total a expansão da categoria
consolidada avançou em cerca de 70% sobre as subcategorias de
proteção aos recursos hídricos e florestas o que demonstra
total desconsideração sobre os estudos que estabeleceram os
limites ecológicos destas áreas.
• Exclusão de
políticas específicas destinadas à agricultura familiar ao
excluir do documento a expressão pequenos produtores. A
intenção de eliminar as políticas específicas destinadas à
agricultura familiar em grandes regiões do estado é
injustificável dada a relevância deste segmento para a
segurança alimentar.
A permissão de plantio da cana
-de-açúcar e produção sucroalcooleira para os Biomas do Cerrado
e Amazônia de Mato Grosso não estão liberadas pelo Decreto
Federal do Zoneamento Agroecológico da Cana-de-Açúcar (Decreto
nº 6.961, de 17 de setembro de 2009). Este é um dos exemplos,
que a proposta evidencia falta de embasamento técnico e
jurídico e incompatibilidade com a legislação federal.
O substitutivo das lideranças partidárias em questão é
apresentado de maneira ilegítima, sem um estudo sério e
transparência, num processo autoritário e antidemocrático, que
representa, assim, um total descaso com a participação da
sociedade nas audiências públicas da própria Assembléia
Legislativa Mesmo com ressalvas, as entidades que abaixo
assinam e reconhecem o documento do primeiro substitutivo que
tramita na Comissão do Zoneamento da AL como válido para início
da negociação, pois o mesmo atende os passos recomendados no
processo de elaboração e consulta do zoneamento.
Reafirmamos nosso compromisso na aprovação do ZSEE/MT que
considere as potencialidades naturais e a grande diversidade
social de Mato Grosso, afinal, este instrumento de política
pública é que direcionará sustentabilidade do Estado de Mato
Grosso de maneira mais justa tanto ambientalmente, quanto
socialmente.
Assim posto,assinam esse documento:
Grupo de Trabalho de Mobilização Social
ARPA
– Associação Rondonopolitana de Proteção Ambiental
CIMI – Conselho Indigenista Missionário
CJMT –
Coletivo Jovem de Meio Ambiente Mato Grosso
FLEC -
Fórum de Lutas das Entidades de Cáceres.
FORMAD -
Fórum Mato-grossense de Meio Ambiente e Desenvolvimento
GPEA / UFMT - Grupo Pesquisador em Educação
Ambiental
Instituto Caracol
Instituto
Centro de Vida - ICV
Instituto Gaia
REMTEA –
Rede Mato-grossense de Educação Ambiental













